sexta-feira, 7 de março de 2025

[74] Buracos em série

 

Buracos em série - Foto Guina Araújo Ramos, 2025


Peguei o costume de apoiar o celular na quina da pequena torre, o modem emissor de wi-fi, da empresa que nos fornece internet e TV a cabo.
(Claro que o serviço não é bom... Claro que toda hora sai do ar, fica lá um sinalzinho rodopiando na tela. Claro, se fosse empresa estatal, todos os canais de mídia estariam pedindo sua privatização. Claro, já é empresa privada... Claro que a gente, bufando ou não, atura e paga.)
Hora dessas, fiz uma foto ali por perto e, quando coloquei o celular com a câmera aberta neste local, descobri essa imagem: uma sucessão de buracos da lateral do aparelho, que mais parecem pontos pretos, em que nunca reparara, a lente do celular distorcendo de forma interessante. Mais um caso de arte casual!
Aí, foi só apertar o botão da câmera do celular. E depois dar uma guaribada no contraste que nem tudo nasce pronto...
[Este texto é para quem gosta de saber (eu, por exemplo, adoro!) a história de cada foto.]

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

[73] O voo da alga morta sob a força da água-viva

O voo da alga morta sob a força da água-viva - Foto: Guina Araújo Ramos - Florianópolis, 04/02/2013

O voo da alga morta sob a força da água-viva.
Vida é morte, morte é vida: na natureza, tudo...
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Pântano do Sul, Florianópolis.
04/02/2013.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

[72] A estrela no esgoto

Na confusão do cosmos, entre cometas faceiros, planetas sisudos e asteroides debiloides, eis que um dia uma estrela resolveu se movimentar e, entre o tamanho real a bilhões de anos-luz além e o tamanho pontual que os terrestres têm, adotou meramente uma forma bem contida, porém elegante, e, impaciente, debicou no rumo terrestre, atmosfera a dentro.
Querendo ser discreta no vórtice da descida, mas meio confusa diante das tantas formas grotescas que via, escolheu muito mal como alvo para o pouso uma linha de brilho que não sabia ser de reflexos de água.
Caiu no que diziam ser um rio domado, mas não passava de um veio de esgoto. Durou pouco seu novo posto no infinito universo, acabou a pose quando veio a chuva. Com ela, a sujeira do desinteresse humano pelo planeta e a enxurrada de lixo, e assim o desleixo levou a estrela, toda torta, para o fundo do final dos tempos.
 
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Leito do Rio (?) Icaraí (continuação do Rio Cubango), entre as ruas Mariz e Barros e 5 de Julho, Icaraí - 20/12/2024

[71] Eu bem te via...

 

O bem-te-vi, ave!, bem que deve ter visto alguma coisa de que estaria a fim.
Ou, talvez porque nada via, tentou enganar quem dele se escondia, a bem-te-via.
Cantou seu canto sofrido por longos minutos, esticado na ponta do pára-raios.
Nada: a tempestade tomou outro rumo e a bem-te-via também.
Só sei que, de quando em vez, ele ou ela aparecem e cantam (ou tentam) mais uma vez o encontro: "bem-te-vi"!... (Ou "bem-te-via"!...)
É assim que o amor passarinha e pára, raios!
Afinal, parece que aparece: o amor nasce assim.
O amor é um canto lançado ao vazio, que bem que vê a certeza do encontro.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

[70] Após a tempestade, a luminosidade!...

 


    Vista do Rio de Janeiro (a partir de Icaraí, Niterói), foto centralizada na Praia do Flamengo, no final da tarde de uma nebulosa segunda-feira, dia 26/12/2024.
    Às 17:52h, após a passagem da tempestade, o banho de luz, que vinha das montanhas do Maciço da Tijuca para a baía da Guanabara
, se espalhava sobre a cidade.
    Ao centro, cercado de luz, o prédio da Praia do Flamengo 200.

 

Da série Luzes Legais