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segunda-feira, 16 de junho de 2025

[80] Enfiada na cidade

Enfiada na cidade - Foto: Guina Araújo Ramos - Curitiba, 21/05/2025

 
A ave enfiada em tramas urbanas sustenta o que vive, mas não mais diferencia árvores e postes, galhos e fios, luas e lâmpadas.
É pássaro, se pousa (parece que posa...) no emaranhado de cabos, acostumado a viver por um fio.
Não se choca: observa a selva de pedra e, em tempo, segue para onde o bico aponta.
Sobrevive de restos de plantas e, se encontra uma toca, faz seu ninho, até mesmo de plástico.
Quem passa, se pode, enquanto ela exista, se quiser recordar, que faça logo sua foto!
 
Enfiada na cidade-2 - Foto: Guina Araújo Ramos - Curitiba, 21/05/2025
 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

[71] Eu bem te via...

Bem te vi na antena - Foto Guina Araújo Ramos, Niterói, 2025

O bem-te-vi, ave!, bem que deve ter visto alguma coisa de que estaria a fim.
Ou, talvez porque nada via, tentou enganar quem dele se escondia, a bem-te-via.
Cantou seu canto sofrido por longos minutos, esticado na ponta do pára-raios.
Nada: a tempestade tomou outro rumo e a bem-te-via também.
Só sei que, de quando em vez, ele ou ela aparecem e cantam (ou tentam) mais uma vez o encontro: "bem-te-vi"!... (Ou "bem-te-via"!...)
É assim que o amor passarinha e pára, raios!
Afinal, parece que aparece: o amor nasce assim.
O amor é um canto lançado ao vazio.
Mas, que bem que vê a certeza do encontro...