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terça-feira, 30 de setembro de 2025

97. A mágica do olhar

A mágica do olhar - Foto: Guina Araújo Ramos, 30/09/2025

 
De repente, um barulho estranho lá fora. Aliás, vários barulhos, misturando sons de madeira e metal, e as falas agitadas, tudo um tanto incoerente, desordenado.
Eu, na sala, surpreso. Só sabia que o som vinha do hall dos elevadores. E justamente na hora em que eu precisava sair...
Ora, hora de apelar para um equipamento fixo, sempre disponível, o único meio de acesso de que dispunha: o olho mágico!
O lance era corriqueiro (só soube depois): os operários da obra de um apartamento, escangalhado o elevador de serviço do outro bloco, transferiram suas tarefas para o nosso.
Sem enxergar o movimento, como entender o momento?... Como ver através de portas e paredes? 
Ora, com o olho mágico!
E olhando por suas lentes, me lembrei de outras: as fotográficas. Aí, fiz a foto, um pouco também por precaução.
Pois não é que o celular se sai bem numa situação incomum como esta?...

segunda-feira, 16 de junho de 2025

[80] Enfiada na cidade

Enfiada na cidade - Foto: Guina Araújo Ramos - Curitiba, 21/05/2025

 
A ave enfiada em tramas urbanas sustenta o que vive, mas não mais diferencia árvores e postes, galhos e fios, luas e lâmpadas.
É pássaro, se pousa (parece que posa...) no emaranhado de cabos, acostumado a viver por um fio.
Não se choca: observa a selva de pedra e, em tempo, segue para onde o bico aponta.
Sobrevive de restos de plantas e, se encontra uma toca, faz seu ninho, até mesmo de plástico.
Quem passa, se pode, enquanto ela exista, se quiser recordar, que faça logo sua foto!
 
Enfiada na cidade-2 - Foto: Guina Araújo Ramos - Curitiba, 21/05/2025
 

segunda-feira, 22 de julho de 2024

[67] A lâmina encoberta da Lua

A lâmina encoberta da Lua - Foto: Guina Araújo Ramos - Niterói, 07/07/2024


Ainda com os resquícios da luz do Sol ao fundo, as nuvens ousam encobrir a lâmina da Lua.
Mas, a Lua, dona dos ritmos, sabe bem que logo logo retornará...

Da série Eventos Insólitos

sexta-feira, 7 de junho de 2024

[64] Um cometa na tarde

Um cometa na tarde - Foto: Guina Araújo Ramos - Niterói, 2024

Enfim, vi (e fotografei) um cometa!
Sempre tive esta fissura. Passei algumas noites mal dormidas no distante tempo (1986?) da passagem do cometa Harley, e dele não vi nem o mínimo risquinho no horizonte, como diziam que seria. E teve mais um ou outro, aquele de nome japonês. Em suma, perdi todos...
Mas, hoje à tarde, no céu absolutamente vazio de nuvens deste Outono, que finalmente chegou, no que fui dar uma respirada na janela, lá estava aquele belo cometa, uau!...
Tudo bem, admito, eu sei que é "apenas" um avião em desabalada carreira, lá perto do limite da atmosfera, deixando para trás um rastro de fumaça, o que já vi várias vezes, alguns deles com "rabos" muito mais compridos.
Mas, este avião flamejante me maravilhou pelo seguinte detalhe: ele se dirigia quase diretamente ao pôr-do-sol, produzindo, pelo violento contraluz, uma "cabeleira" de fogo de um vermelho-amarelo vibrante.
Aí, o melhor... Consegui fazer o zoom mais radical do meu celular, enquadrar (ainda que bamboleasse na mão) e clicar (e registrar a imagem) sem tremer. Depois, para arrematar, só um pouquinho de realce nas cores chamuscantes da fumaça. Já o azul do céu, a esta distância, parecia cinza mesmo...

 

Da série Eventos Insólitos 

 

domingo, 22 de janeiro de 2023

[53] Nuvens se expressam!

Olhar para o céu e ver como as nuvens se expressam é uma prática milenar, deve ser, só pode ser!... (Naqueles tempos não havia streamings, TV, cinema nem celular para tirar a foto...)


A nuvem que ri - Foto: Guina Araújo Ramos, Niterói, 18/01/2023

Não há quem não tenha vivido isto na infância, procurando enxergar as duvidosas figuras que os adultos apontavam, até com espanto, se a nuvem ocupa o cenário. 

Criança logo aprende e não mais esquece. Bem, digo, não esquece a técnica. Mas, ficando velhos, costumamos esquecer de manter a prática, de continuar atento aos movimentos do céu, de inventar - e realmente ver! - como as nuvens se expressam. Ou, dado que tudo é duvidoso, como parece que se expressam...

Numa dessas olhadas, achei esta nuvem, que me pareceu expressiva: um aglomerado branco tingido pelo amarelado da luz do sol poente que vinha da direção oposta. 

Fiz a foto no automático do celular, o branco estourou... Mudei para Manual, reduzi um pouco a exposição. Na nova foto, a nuvem ficou no exato tom daquela à minha frente, no horizonte. E tive a surpresa de ver surgirem detalhes que davam à peça uma expressão “humana”: os olhos, a ponta aguda do nariz, a boca debochadamente aberta. Enfim, eu vi: uma nuvem que ri! (Ora, se há vaca que ri, por que não uma nuvem que ri?...)

E me veio à mente a pergunta “de que se ri esta nuvem, ao fim da tarde?”, à qual respondi, como pude, para mim mesmo: “Vai ver é do sol que a gente encara no verão...”. E entendi que merecia ser publicada, para que outros rissem também...

 

Sei que tenho um ponto de vista privilegiado, vejo o Rio de Janeiro por sobre os prédios de Icaraí, Niterói, mas nem sempre as nuvens colaboram tanto... (As montanhas, sim.)

Três dias depois, num sábado de manhã, o tempo deu um tempo no verão, outro céu de nuvens: dia nublado, nebuloso, quase chuvoso.

Notei, na cortina de neblina derramada, do Centro à Zona Sul, na fachada do Maciço da Tijuca, uma brecha, uma faixa vazia de cima a baixo se deslocando do sul para o norte. Percebi onde ia passar e fui buscar a câmera (desta vez, não o celular, precisava de um zoom potente), bem a tempo!


O Rio em seu manto - Foto: Guina Araújo Ramos - de Niterói, 21/01/2023

A interpretação me veio simplória: um manto sobre os ombros da cidade, o Cristo do Corcovado se fazendo de cabeça (encolhida, mas sempre viva, é do Rio!). Houve quem visse sinais bíblicos... A prima Margareth Bravo enxergou melhor: “O dia em que o Cristo Redentor resolveu pegar onda nas nuvens...”. 

Ah, interpretação mais carioca do que esta é difícil!

Da série Eventos Insólitos