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domingo, 20 de setembro de 2026

113 - Os de plantão no portal

 

Os de plantão no portal - foto: Guina Ramos - Cais do Porto, Rio - 19/09/2026

Passo batido pela Ponte Rio-Niterói e vejo no Cais do Porto todo um maquinário iluminado, grandes e imponentes estruturas.
Não são guardiões do território, lhe faltam as armas. São guindastes, têm o espírito olímpico dos levantadores de peso, que assustam e até cansam os telespectadores. Iluminados diante do fundo negro da noite, de certa maneira eles nos tranquilizam: parecem dispostos a levantar, se não todo o peso do mundo, toneladas de cargas dos muitos produtos, da cidade e do país, que vão e que vêm pelos mares. Tudo bem, que seja assim e que sejam úteis!
Mas, admito: sabendo que, ainda em Setembro, já começaram a escolher os sambas-enredo para o ano que vem,até parece que vejo ali, sugerindo alegorias e adereços, uma espécie de portal para o Carnaval...
Na volta, do lado favorável da pista, aproveitando que não estou dirigindo, é que faço a foto.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

90. O avião da barca

O avião da barca - Foto: Guina Araújo Ramos, 30/07/2025

Niteroiense adotado, não deixo de ir ao Rio ao menos umas duas vezes por mês. E de barca, felizmente, o que me dá sempre chance de fazer alguma foto interessante.
Aos poucos, passei a fazer uma espécie de plantão, me colocando na janela sempre do lado voltado para o Pão de Açúcar. Neste ponto de vista, meu interesse passa pela paisagem, pelas plataformas de petróleo estacionadas na baía e, muito especialmente, pelas descidas e subidas de aviões no Santos Dumont.
Fazer esta foto se tornou um exercício de paciência e intuição. Quando o avião sobrevoa a barca e vai aterrissar, a foto depende de um muito rápido reflexo. Consegui muito poucas boas fotos...
Desta vez, início da noite, fazendo frio, antes de mais nada tratei de me sentar junto a uma janela fechada. Mas, imediatamente me arrependi... O vidro estava muito sujo: eu via muito mais o interior do que o exterior da barca.
Pensei numa estratégia: sabia que encostar o celular no vidro diminuiria as interferências na imagem. O problema é que o lance é muito rápido! Quando o avião roncou lá por cima da barca, mal tive tempo de apoiar o celular no parapeito e bater a foto, precisava pegar o avião ainda no ar.
E fiquei até surpreso com o resultado... Como estávamos no mesmo eixo (eu, o avião, a pista iluminada, o Pão de Açúcar), até que isto compensou a baixa luminosidade da cena e a rapidez do movimento do avião. Daí, o passo final foi fazer algum tratamento e dar um corte na imagem.
Gostei, ficou um tanto ou quanto impressionista...

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Da série "Encontros Sensíveis"

quinta-feira, 7 de maio de 2020

[34] Avião encara o Pão de Açúcar

Este é um evento diário, aliás, multidiário... Todo dia, dezenas de aviões partem do Aeroporto Santos Dumont em direção ao Sul (na contramão do vento, em geral à tarde) e todos eles, por razões óbvias, desviam do Pão de Açúcar, cambando para a esquerda, iniciando (os que vão para o Sul do país) uma ampla curva que contorna com segurança, que há riscos(*), este ícone do Rio de Janeiro.
É uma manobra padrão, regulada por normas de voo (tenho que acreditar nisso...), mas sempre causa algum calafrio. E tanto para quem, lá dentro do avião, leva o susto do balanço das asas, quanto para quem assiste de longe, e ainda mais quando se está no mesmo eixo do voo.
 
Avião desvia do Pão de Açúcar - Foto Guina Araújo Ramos, 03/12/2018

Um ponto privilegiado para registrar este evento, até o nível do detalhe, a depender da disponibilidade de um eficiente zoom na câmera (com celular nem pensar!), é de uma das barcas da travessia Rio-Niterói (ou vice-versa), só que depende de um sutil sincronismo de movimentos e, sem dúvida, de bastante sorte. 
Nessas minhas travessias sempre levo a câmera no ponto para fazer esta foto, ou o que mais surja de interessante. Algumas vezes consegui, nem sei se esta é a melhor. 
Não é nada, não é nada, mas, que há alguma emoção nisso há...



(*) Nos anos 1980, fotografei, para o Jornal do Brasil, os destroços de um avião de pequeno porte
 que, numa tarde de nevoeiro, não adernou o suficiente e se chocou contra a parte lateral superior do morro.


Da série Eventos Insólitos