domingo, 22 de fevereiro de 2026

105 - Reaparecer em pedaços


Quando passei não estava mais ali, mas deixou, na(s) barra(s) pesadas(s), sua presença.
As roupas postas a secar indicam a suposta intenção de voltar e reassumir sua história.
A gente passa, mas a arte da dança das peças sobre a indiferença das travas lembra alguém que esteve, não está, marcou seu lugar e voltará.

104 - THIPAN voltou!

 


O cara é um tremendo "muralista", como se diz por aí afora, e também cria de Niterói, embora tenha passado certo tempo por Florianópolis e outras praias. Por várias vezes registrei seus trabalhos, os mais próximos, alguns deles do maior valor, até mais do que simbólico.
THIPAN estampa a resistência a que a beleza da arte nos induz. Por isso, a deixa pública, à vista, nas ruas, nas praças. Pena que as pessoas, a cidade e o tempo lhe (e nos) preguem peças: os imponentes tigres do muro do casarão derrubados pelo ataque de mais um prédio, o painel da Amazônia esboroado pelo trânsito e pelo tempo, o pássaro encoberto pelas garotas da loja ao lado (mas, depois, descoberta) etc.
Tudo bem, o importante é que #THIPAN voltou!
Saudades da família, dos amigos etc., e eu o encontrei substituindo um velho mural, ao lado da padaria: já preparado o muro, o "grid orgânico" já riscado, me explicou.
E, melhor, mostrou o rascunho no celular: vem aí, todo colorido, um brioso corcel, um glorioso cavalo!
Não reparei, o sol forte escurecia a tela, mas acho que alado...
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Dois dias depois, o cavalo (que não é alado) já lá estava, na pista do mural, ainda que ainda esquematicamente... 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

103 - A casa das barcas

Cúpula da Estação das Barcas - Foto: Guina A. Ramos - Rio, 04/02/2026

O prédio da Estação das Barcas, na Praça XV, Rio de Janeiro, é realmente um conjunto arquitetônico muito atraente. Apesar de que passo por lá, pra lá e pra cá, e nem sempre presto atenção, depende da correria...

Dessa vez, vindo pela rua São José, voltando para Niterói, notei como estava bem destacada, parecia até que recém-pintada, contra o fundo nebuloso de nuvens pesadas.
E vim fazendo umas fotos no celular, conjugando esta cúpula absolutamente linda com as curvas modernamente elegantes dos postes de iluminação pública, até porque não havia como evitá-los...
Ao menos, temos direito a esta visão para aliviar a travessia do grande deserto em que transformaram a Praça XV...
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Esta postagem é dedicada a Americo Vermelho, excelente fotógrafo e amigo, que perdemos em 08/02/2026, ele que publicava, entre outras, a série "Casas", com fotos das casas (e outros prédios) que amava.

102 - Filhote de arco-íris

 

Filhote de arco-íris - Foto: Guina Araújo Ramos, Niterói, 2026

Tempo nublado, sujeito a chuvas e trovoadas, o dia já começa com nuvens pesadas.
Em compensação, no que abro a janela, dou de cara com um filhote de arco-íris!
Em vez de crescer e aparecer, foi se desmanchando e se escondeu nas nuvens.
Deve ter achado o mundo aqui embaixo muito conturbado...
Agora, resta a seus fãs torcerem para que a chuva que anuncia venha bem mansa...


sábado, 17 de janeiro de 2026

101. Um palhaço no clima da chapa

 

Um palhaço no clima da chapa - Foto: Guina A. Ramos - Rio, 14/01/2026

Navegar de Niterói ao Rio de Janeiro pela Baía da Guanabara é sempre um prazer. Acessar as ruas no Centro do Rio a partir da Praça XV, para a maioria que não vai no rumo do VLT, é que é dureza...
É necessário atravessar um "deserto" (de ideias?), uma "placa" de pedras sem qualquer proteção contra o Sol, a chuva, o vento e a saúde do transeunte...
No verão, quem atravessa esta grande área totalmente descoberta, vazia de coberturas, à frente da Estação das Barcas se sente, por muitos metros, em uma grande "frigideira" sem óleo (mas, também sem protetor solar). Chego a pensar que os niteroienses que fazem diariamente este trajeto bem que poderiam processar o prefeito do Rio por crime ambiental...
Ao entrar, mais uma vez, nesse calvário, notei a jovem de cabelos em chamas e pele radicalmente branca, que avançava estoicamente pela "chapa quente" à busca de alívio entre os edifícios.
Mas, só depois que revi a foto, notei que pouco adiante da graciosa "modelito" estava a única tentativa de árvore de todo aquele trecho, a qual, por ironia, compôs com seus cabelos a imagem do sentimento que me acossa naquela travessia...
E vi que a sombra, dada a insensibilidade da administração pública local, não acolhe quem passa. Ao contrário, fica para trás...