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quarta-feira, 28 de julho de 2021

[41] A difícil postura olímpica

Morador de rua-1 - Guina Araújo Ramos - São Paulo, 2021
 




Até que ponto manter uma "postura olímpica" aquece 

(e salva da morte) um ser humano?

 

Da série "Brasil na Miséria" - 34  

Paraíso, São Paulo, 07/2021.

Morador de rua-2 - Guina Araújo Ramos - São Paulo, 2021

Em meados deste julho de 2021, apesar da pandemia, saí do Rio e passei uns dias em São Paulo. No Paraíso, bairro de velhos casarões confortáveis de famílias de classe média alta, agora invadido por prédios modernosos, observando da varanda prédios e frestas, reparei num pano amarelo na calçada ao longe. 

Para fotografar, uma câmera Cyber-shot da Sony. Pequena a ponto de caber em uma mão, mas com poderoso zoom de 30x (fotos feitas da altura de uns 15 andares, em ângulo de 45 graus) e com definição de 20,4 megapixels no registro da imagem.

Morador de rua-3 - Guina Araújo Ramos - São Paulo, 2021


Era o lar de um homem, que acompanhei por três dias nessa temporada paulistana. O que mais vi foi a sua dignidade de morador de rua, em geral solitário, às vezes recebendo amigos, sempre com elegância e até, acho, bom humor. E era apenas um “detalhe”, diante dos tantos que vi na miséria das ruas e das praças enquanto dirigia pela cidade (e portanto não pude fotografar, mas todos sabem que há).
Morador de rua-4 - Guina Araújo Ramos - São Paulo, 2021

Neste momento em que, garantem, a frente fria mais gelada do século atinge São Paulo, me pergunto: como estará este meu vizinho casual?... 

Prédios - Guina Araújo Ramos - São Paulo, 2021

Ou, expressando melhor a aflição, como será que este circunstancial ex-vizinho sobreviverá ao passar cortante do frio?... 


Independente do frio, a situação dos moradores de rua em São Paulo é periclitante: neste ano, já morreram 13.  

E nos últimos 4 anos houve um aumento de 53% na população que vive nas ruas da cidade.

 Talvez, em emergência, aceite ir para um abrigo improvisado da prefeitura. Mas, sinceramente, temo que o seu orgulho seja suficiente para que decida ficar, apesar do risco de morrer de frio.

Estamos em plena temporada olímpica pandêmica... Será que este lutador (porque atleta ele não é...), um representante do Brasil na Miséria, então cercado pela riqueza internacional, terá a “postura olímpica” de resistir, e ficar neste local em que “construiu” o seu lar?

terça-feira, 12 de maio de 2020

[40] Home Office nas ruas

 

Desde antes da pandemia, o brasileiro estava pronto, por sua experiência na miséria, para colocar em quarentena seu trabalho e, estando na rua, simplesmente ficar em casa.

 

 

Da série "Brasil na Miséria" - 33  

Santa Rosa, Niterói, 05/2019.


 

Era um canto de calçada, à porta de um prédio baixo, ao lado de um pequeno supermercado (que, aliás, fechou as portas meses antes da pandemia), sempre muito utilizado pelos moradores de rua da área. 
O que dormia entre sombrinhas, por exemplo, era freguês do local, talvez pelo espaço suficiente para seu burro-sem-rabo e para qualquer material volumoso que carregasse, como armários de aço, caixas de papelão, botijões de plástico...
Com a COVID-19 circulando, quem sabe onde ele estará?


terça-feira, 5 de maio de 2020

[32] Limites aos nossos pés > da série Quarentena em Foco


Criando e respeitando limites "pandêmicos": 
chinelos e sapato para acessar 
o mundo externo à casa. 
E o recado na porta: 
"Favor não retirar os calçados. 
Evite contaminação. Grato.".
Ou coisa parecida.

. 
Comentário: A princípio, no lado de fora da porta da cozinha, ficava só um par de chinelos (aliás, ímpares), mas hoje resolvemos encarar a aventura de tomar a vacina da gripe, o que implicou em acréscimo de mais uma sandália para ela e de um sapato para mim, sempre confiando na compreensão dos vizinhos...
. 
[Da série Guina na parada!] 
Publicado em 07/04/2020  
no Facebook, foto 14
 da série Quarentena em Foco.

sábado, 25 de abril de 2020

[22] Ficar em casa, como?


No que a epidemia ataca, o que restará à miséria (da saúde) do Brasil a não ser ficar em casa?...

 

Da série "Brasil na Miséria" - 32   

Icaraí, Niterói, 03/2019.

#GuinaRamos #BrasilnaMiséria

 

Sob o impacto da epidemia, uma imagem de um ano atrás, mas bastante atual.
É que para muitos brasileiros, as casas são assim: coloridas, arejadas, livres, leves, embora nem sempre soltas... 
O "novo coronavirus" já circula livremente pelo Brasil, invadindo as ruas, as favelas, os prédios, até os condomínios mais seguros, e espalhando a COVID-19, doença que leva gente de todas as classes aos hospitais, de onde muitos não voltam.
E os que nem sequer têm casa, estes terão salvação?...