segunda-feira, 20 de abril de 2026

110 - No controle?

 

A gente vai organizando as coisas, cria lugar para cada uma (para as principais, ao menos), se esforça para administrar os movimentos e os resultados. Tudo isso, para se tranquilizar diante do mundo. Digo, da parte do mundo que se consegue alcançar, influenciar, interferir, o "seu" mundo...
Controle remoto, melhor símbolo deste interesse (e esforço) não há. Pode muito: liga, desliga, muda de canal, recua os eventos no tempo, abandona o programa já superado. Tanta capacidade, ainda que virtual, de alterar o que se forma e o que se informa, faz dele um cetro, uma varinha mágica, uma fonte de poder.
A maior parte do tempo o aparelho fica ali parado, à sua frente, sobre uma mesa, aparentemente inútil, ainda que sempre cheio dessas potenciais vontades, concentradas sob a inércia de seus botões.
Eis que num repentino momento veio esta luz, chegando de um tempo distante: um raio de sol, sorrindo com todas as cores, iluminou o pretenso controle remoto.
Em vez de controle, o deslumbre: a vida é mesmo uma sucessão de luzes.
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# 110, na série "Luzes Legais"