segunda-feira, 30 de março de 2026

109 - Folha impressa

 

As calçadas são cheias de novidades, ou quase. Bem, desde que se olhe um pouco para baixo, mas com cuidado, nada de bater cabeça com poste... 
Desta vez, uma folha impressa. Não uma folha jornalística, nem estava em São Paulo. Uma folha impressa a sol e chuva, pela pressão inevitável do tempo.
Uma folha natural, e casual, que, pelo jeito, veio de uma amendoeira ali pertinho. Tão natural que fez questão de cair ao lado de uma placa (digo, uma tampa) que registra a passagem, ali por baixo, de um gás, que é natural, também. 
Naturalmente, fiquei em pé à frente dessa arte, para fazer a foto, e meus pés entraram na imagem. Podia lhes cortar tal insolência na edição da imagem, mas, sendo o tema aqui a arte casual, eles fincaram pé e ficaram... 
É o que digo:
- Para mim, arte casual é assim. 
- Ei, é assim ou é assada?, diria um duvidoso crítico.
- Ora, se fosse assada não seria casual!

quarta-feira, 11 de março de 2026

108 - No mundo das nuvens

 


Sempre que atravesso de barca de Niterói para o Rio ou vice-versa presto atenção no movimento do aeroporto Santos Dumont. Repito sempre o exercício de tentar fotografar algum avião que parte ou que chegue às suas pistas. É uma espécie de plantão, mas, evidentemente, depende muito mais de sorte do que de habilidade.
Desta vez, tudo muito simples. Um avião que partia da cabeceira e foi sumindo na distância, sempre na direção do Pão de Açúcar. Sem uma teleobjetiva, apenas com o celular, fiz umas três fotos gerais (que o digital é bem barato), com o avião cada vez menor, até que percebi que ia acontecer a coincidência da passagem dele à frente da nuvem, bem em cima do pico da montanha e em linha com o meu eixo de visão!
Ora, nada melhor para um fotojornalista, ainda que aposentado, do que uma coincidência!
Não deu tempo de alterar nada, a gente faz o que pode, mas providenciei uma ampliação da cena, aqui no celular mesmo.
O importante de fazer (ou ver) fotografia é curtir.
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Travessia da baía da Guanabara, 25/02/2026.
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# 108 do blog FotoLíteroGrafia, na série "Encontros Sensíveis"
 

107 - Já raiou!


Já raiou no horizonte a luz da igualdade, o sol que nos inspira.
A luz do socialismo há de brilhar mais uma vez e há de ser de uma vez por todas.
Vem vindo do Oriente esta luz intensa, mas tão cotidiana, que esclarecerá as mentes, agilizará as mãos e energizará os corpos.
É chegada a hora da Humanidade se engajar no movimento consciente de construir no planeta Terra o melhor dos mundos.
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Niterói, 07/03/2026, 06:06h.
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# 107 do blog FotoLíteroGrafia, na série "Luzes Legais"

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

106 - Ultrapassando os Beatles

 

Ultrapassando os Beatles - Foto: Guina Araújo Ramos, Niterói, 2026

De repente cruzei com os Beatles e quase nem percebi... É uma esquina de trajeto habitual, várias vezes por mês passo por ali. Mas, me incomoda a árvore de raízes tortas apertando a calçada estreita, vem uma aflição de passar batido... Daí, só dessa vez notei os Beatles atravessando Abbey Road, o painel com a imagem deles em tamanho natural na lateral da lanchonete. Fui adiante fazer minha compra e já voltei preparando a foto. 

Contextualizando os Beatles- Foto: Guina Araújo Ramos, Niterói, 2026
Difícil me acomodar entre um carro e a árvore, de costas para o trânsito, mas, a salvo disso, primeiro fiz uma foto da foto, registro básico, e depois, embora apressado, esperei alguém passar.
Ela ultrapassou o painel, quase pisando nos astros (do rock) distraída, e eu lhe dei o tempo justo de entrar na fila, e em primeiro lugar!
Não sabe que fiz a foto, e mal sabe o sucesso que faria se estivesse na imagem original, lá dos anos 60, capa de disco etc. Mas, sem o celular, naturalmente, e no passo certo!

Editando é que notei a propaganda embutida, a sacolinha do "381" nas mãos do Paul. Não sou cliente, quase não consumo hambúrguer, rock e tal, mas, ao menos pela criatividade, me sinto obrigado a recomendar: "381 Burger", Roberto Silveira com Mariz e Barros, Icaraí, Niterói.
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# 106 do blog FotoLíteroGrafia, na série "Locais Distintos"

domingo, 22 de fevereiro de 2026

105 - Reaparecer em pedaços


Quando passei não estava mais ali, mas deixou, na(s) barra(s) pesadas(s), sua presença.
As roupas postas a secar indicam a suposta intenção de voltar e reassumir sua história.
A gente passa, mas a arte da dança das peças sobre a indiferença das travas lembra alguém que esteve, não está, marcou seu lugar e voltará.

104 - THIPAN voltou!

 


O cara é um tremendo "muralista", como se diz por aí afora, e também cria de Niterói, embora tenha passado certo tempo por Florianópolis e outras praias. Por várias vezes registrei seus trabalhos, os mais próximos, alguns deles do maior valor, até mais do que simbólico.
THIPAN estampa a resistência a que a beleza da arte nos induz. Por isso, a deixa pública, à vista, nas ruas, nas praças. Pena que as pessoas, a cidade e o tempo lhe (e nos) preguem peças: os imponentes tigres do muro do casarão derrubados pelo ataque de mais um prédio, o painel da Amazônia esboroado pelo trânsito e pelo tempo, o pássaro encoberto pelas garotas da loja ao lado (mas, depois, descoberta) etc.
Tudo bem, o importante é que #THIPAN voltou!
Saudades da família, dos amigos etc., e eu o encontrei substituindo um velho mural, ao lado da padaria: já preparado o muro, o "grid orgânico" já riscado, me explicou.
E, melhor, mostrou o rascunho no celular: vem aí, todo colorido, um brioso corcel, um glorioso cavalo!
Não reparei, o sol forte escurecia a tela, mas acho que alado...
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Dois dias depois, o cavalo (que não é alado) já lá estava, na pista do mural, ainda que ainda esquematicamente... 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

103 - A casa das barcas

Cúpula da Estação das Barcas - Foto: Guina A. Ramos - Rio, 04/02/2026

O prédio da Estação das Barcas, na Praça XV, Rio de Janeiro, é realmente um conjunto arquitetônico muito atraente. Apesar de que passo por lá, pra lá e pra cá, e nem sempre presto atenção, depende da correria...

Dessa vez, vindo pela rua São José, voltando para Niterói, notei como estava bem destacada, parecia até que recém-pintada, contra o fundo nebuloso de nuvens pesadas.
E vim fazendo umas fotos no celular, conjugando esta cúpula absolutamente linda com as curvas modernamente elegantes dos postes de iluminação pública, até porque não havia como evitá-los...
Ao menos, temos direito a esta visão para aliviar a travessia do grande deserto em que transformaram a Praça XV...
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Esta postagem é dedicada a Americo Vermelho, excelente fotógrafo e amigo, que perdemos em 08/02/2026, ele que publicava, entre outras, a série "Casas", com fotos das casas (e outros prédios) que amava.

102 - Filhote de arco-íris

 

Filhote de arco-íris - Foto: Guina Araújo Ramos, Niterói, 2026

Tempo nublado, sujeito a chuvas e trovoadas, o dia já começa com nuvens pesadas.
Em compensação, no que abro a janela, dou de cara com um filhote de arco-íris!
Em vez de crescer e aparecer, foi se desmanchando e se escondeu nas nuvens.
Deve ter achado o mundo aqui embaixo muito conturbado...
Agora, resta a seus fãs torcerem para que a chuva que anuncia venha bem mansa...


sábado, 17 de janeiro de 2026

101. Um palhaço no clima da chapa

 

Um palhaço no clima da chapa - Foto: Guina A. Ramos - Rio, 14/01/2026

Navegar de Niterói ao Rio de Janeiro pela Baía da Guanabara é sempre um prazer. Acessar as ruas no Centro do Rio a partir da Praça XV, para a maioria que não vai no rumo do VLT, é que é dureza...
É necessário atravessar um "deserto" (de ideias?), uma "placa" de pedras sem qualquer proteção contra o Sol, a chuva, o vento e a saúde do transeunte...
No verão, quem atravessa esta grande área totalmente descoberta, vazia de coberturas, à frente da Estação das Barcas se sente, por muitos metros, em uma grande "frigideira" sem óleo (mas, também sem protetor solar). Chego a pensar que os niteroienses que fazem diariamente este trajeto bem que poderiam processar o prefeito do Rio por crime ambiental...
Ao entrar, mais uma vez, nesse calvário, notei a jovem de cabelos em chamas e pele radicalmente branca, que avançava estoicamente pela "chapa quente" à busca de alívio entre os edifícios.
Mas, só depois que revi a foto, notei que pouco adiante da graciosa "modelito" estava a única tentativa de árvore de todo aquele trecho, a qual, por ironia, compôs com seus cabelos a imagem do sentimento que me acossa naquela travessia...
E vi que a sombra, dada a insensibilidade da administração pública local, não acolhe quem passa. Ao contrário, fica para trás...
 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

100. O sangue vivo do povo

 

O sangue vivo do povo - Foto: Guina Araújo Ramos, 03/01/2026

As veias da América Latina estão, mais uma vez, abertas...
Tingem com o sangue de seu povo estes tempos, mais uma vez, mortais.
Logo outra noite virá, mais uma vez pesada, injusta, cruel.
O povo, mais uma vez, resistirá às torturas e se livrará dos seus distantes algozes.
Sorrindo e dançando, o povo do continente construirá, dia a dia, o socialismo latino-americano.