Este ser, que acho meio espaventado, costuma me olhar, desde que faça sol, logo pela manhã.
E me deixa enevoado o dia todo.
Do modo que me olha, deduzo pertencer à classe dos espantalhos... Não dos comuns, dos mais sombrios.
Sinto nele, enquanto figura que encara, um desarvoramento contido, um invejante estado estático, um implícito lamentoso olhar, se bem o enxergo...
Se atravesso as barreiras que nos separam – a indiferença do vidro, o corte horizontal das barras – sei que vou encontrá-lo verde e vivo, dado que, um dia, plantado.
Mas, não de todo vivaz. Abatido, ressecado, deprimido, quase abandonado: um ser opaco e parado, um “pet” vegetal de um tutor desalmado, uma planta carente de águas...
Triste, que sofro um pouco por isso, eu então lhe digo, definitivo: “Não adianta me olhar, tão grave assim, pelas grades. E nem esperar que lhe quebre (ou lhe recupere) os galhos... Não sou, aceite, que me faltam raízes rurais, um humano com vocação para o agro...”
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# # 111 do blog FotoLíteroGrafia, na série "Artes Casuais", https://fotoliterografia.blogspot.com/

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