quinta-feira, 11 de agosto de 2022

[48] Uma tarde rubro-negra

     Fim da tarde de 4ª-feira, 10/08/2022, e eu admiro o espetáculo: o sol poente lança sua luz acima, a um aglomerado de nuvens que se abriam num leque rajado, na maior parte muito escuras, mas entremeadas de faixas brancas. E a luz vermelha do pôr do sol simplesmente cria no céu um painel rubro-negro!... Ou, para quem estava em Niterói, na área do Rio de Janeiro, mais parecia uma vibrante bandeira flamenguista. Em suma, era, evidentemente, um céu campeão!...

Tarde rubronegra-1 - Foto: Guina Araújo Ramos, 2022

     E, para ser mais rápido, tratei de pegar o celular e fazer logo as primeiras fotos!... Estas já ficaram chocantes, achei. Mas, apesar da lente grande-angular, não consegui abranger na foto o completo arco de nuvens. Pois, fui buscar minha camerazinha esperta de mão (que já doei para a SFF todo meu antigo equipamento profissional): na vertical, com a sua lente de ângulo mais aberto, quase alcancei o limite superior da nuvem...

Tarde rubronegra-2 - Foto: Guina Araújo Ramos, 2022

      A cor se explica: este vermelhão vesperal (ou matinal) se tornou uma constante, mundo a fora, desde janeiro de 2022, efeito de grande erupção vulcânica nas ilhas Tonga, lá longe, no Pacífico. Só que desta vez havia outro fundamental elemento na composição da imagem, a grande faixa de nuvens. Anunciava que as condições climáticas locais logo atingiriam outro patamar, que era a ponta de lança de um ciclone, ou ao menos as suas bordas, e que, vindo do Sul, trazia uma frente fria com fortes ventos e ressacas no mar.

     O tal ciclone chegou, provocou alguma (pouca) destruição, as ondas atacaram, os ventos uivaram nos morros (e prédios), mas, felizmente, nada foi tão grave, nem tudo foi ruim ou perigoso.

     Em compensação, criou esta oportunidade de fazer um registro fotográfico que, a muitos, pareceu marcante, forte e, principalmente, belo!

sexta-feira, 17 de junho de 2022

[47] Luminoso fim de tarde

No Brasil, de uns tempos para cá (e alguma coincidência há), os dias nascem e morrem como se fossem espetaculares alarmes de verdadeiros (na verdade, reais) banhos de sangue. Explicações científicas há, porém, por mais que expliquem nunca se sabe se cada vermelhão no horizonte se deve a cinzas de distantes vulcões ou a queimas de florestas locais, além de que são símbolos destes tempos que correm, mas tão lentos que parecem rastejar...

De vez em quando, num olhar desatento, a vermelhidão nos invade de tal forma que nada nos impede de um gesto de espanto. Ah, no meu caso, imediatamente o susto se transforma em foto. Em geral, rende uma imagem ampla, o horizonte propriamente dito. 

Luminoso fim de tarde musical - Foto: Guina Araújo Ramos, 2022

Desta vez, não. O céu de fogo me pegou ao entrar na sala, vindo da penumbra do corredor, através de uma janela de persianas casualmente escancaradas. Fotografei de imediato, incluí até uns reflexos nos quadros da parede lateral. 

Espelhado fim de tarde - Foto: Guina Araújo Ramos, 2022

Logo, outros elementos luminosos pediram presença... O primeiro, a tela vibrante da televisão aberta a um show casual, de que nem notei a origem, não conheço a artista, sequer me lembro da música, que fotografar (por conta da concentração, talvez) praticamente me elimina a audição!

Mas, não só a TV estava ligada. Havia um terceiro elemento, a luminária de formato quase cósmico que cobre com luz indireta a mesa. Ora, fui me posicionar atrás dela para, aí sim, procurar o tom e o ângulo melhores, meta que, me diz a experiência profissional, não resiste a algumas tentativas seguidas, caso haja tempo hábil...

E assim se fez a foto do momento, que me é tão prazerosa, este luminoso fim de tarde fotomusical a domicílio...

Sanguíneo fim de tarde sideral - Foto: Guina Araújo Ramos, 2022

E, para não desperdiçar os elementos visuais disponíveis, ainda parti para outra viagem quase sideral: o ventilador de teto em contraluz à explosão de temperamento sanguíneo que ass(ass)ina o país.