segunda-feira, 14 de março de 2022

[45] Tímida Lua Crescente

Neste Março de 2022, a Lua Crescente marcou presença!

Aliás, do jeito que está a Terra, é melhor mesmo a gente se colocar no mundo da Lua...

Esguia ainda, foi fotografada pelo colega Marcus Veras preguiçosamente recostada sobre o cume do Corcovado, sob a observação de um estático Cristo de pedra.

Mesmo sabendo ser a Lua Cheia a prima-dona desse périplo, passei a dar atenção a este seu momento adolescente... Na noite de 10/03, lá pelas 23h, ela se preparava, o que é usual, para sair de cena. Peguei minha câmera e, dei-lhe, meio no susto, este flagra, justo quando ela ultrapassava o sinal vermelho e se escondia atrás de um prédio. Parecia mesmo coisa de criança, assim toda tímida, e talvez por ser, ainda, Lua Crescente. 

Lua Crescente, além das antenas. Foto: Guina Araújo Ramos - Niterói, 10/03/2022.
(Câmera Sony Exmor R, 20.4 Mpx, 30x Zoom)

Mas, quem a viu nas redes, achou coisas diversas... Aldo Cordeiro se preocupou: “As antenas enjaulando a lua. Tempos modernos.”. Gilda Dantas: “Essa lua é prenúncio da lua dos lobos, a lua cheia!”. Ruth Joffily alimentou: “Lua com formato de uma tapioca!” (e deve ter queijo coalho no recheio, digo eu). Lucila Silva Telles se espantou: “Que escândalo!”. Lídia das Vestes se entregou à energia: “E eu, uivando!”...

E assim por diante... E o motivo é o mesmo: a Lua é realmente (e sabe ser) um exagero!...

sábado, 5 de fevereiro de 2022

[44] O poente monocromático

Na verdade, uma foto casual. Não pelo objeto, o pôr-do-sol (*) sobre o Rio de Janeiro, mas pelo produto.

Ontem, um fim de tarde diferente, uma grande nuvem sobre toda a extensão, que me é dado ver, das montanhas cariocas. Um jogo de cores instigante, o raiado dos tons quentes do poente espremido entre o corpo subexposto da terra e a nuvem escura que pesava sobre toda a paisagem..

De minha parte, um momento agitado, pouca disponibilidade de tempo para fotografar e um repentino mau humor dos automáticos da câmera, que, em geral é muito cordata!

Ela, a máquina, tomou conta do processo... Os controles meio que enlouqueceram e eu não conseguia, para começar, escolher a sensibilidade, que pulava sozinha para 3200 ASA/ISO... Ah, eis que de repente achei que conseguira definir em 400 ASA, e não perdi tempo: bati a foto. 

Poente PB no Rio - Foto Guina Araújo Ramos, 04/02/2022

Não percebi que a câmera havia mudado um outro parâmetro: acionou Efeitos de Imagem e, por conta própria, escolheu Monocromático Contraste Alto!... Fiquei tão chateado que até desisti do pôr-do-sol, mais um entre toda uma vida de poentes, e fui tratar de outras coisas.

Hoje, baixando outras imagens, prestei atenção nesta, que, de passagem, me parecia um borrão: lá estava, em silhueta, a tranqueira da Pedra da Gávea, o Corcovado e seu Cristo estático, as agulhas das antenas do Sumaré e mais o ondulado das montanhas subindo para o Pico da Tijuca. Abaixo dela, o peso da Terra. E acima, a pressão das nuvens em um único bloco, e ainda bem que passageiras.

Gostei. Uma foto que vale mostrar. E guardar.

 

(*) Dizem as regras do atual acordo ortográfico, de 2009, que o correto agora é "pôr do sol", sem hífen. Desculpem os sabichões, mas sou contra!... Sem hífen, tenho a impressão que o sol vai fugir, vai se afastar, deixar de se pôr.

Bem, são problemas que não vou resolver... Mas, posso, ao menos, para não sofrer esta imaginária perda, escolher escrever errado quando e sempre que, para mim, seja o certo.