segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

[73] O voo da alga morta sob a força da água-viva

O voo da alga morta sob a força da água-viva - Foto: Guina Araújo Ramos - Florianópolis, 04/02/2013

O voo da alga morta sob a força da água-viva.
Vida é morte, morte é vida: na natureza, tudo...
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Pântano do Sul, Florianópolis.
04/02/2013.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

[72] A estrela no esgoto

A estrela no esgoto - Foto Guina Araújo Ramos, 2024

Na confusão do cosmos, entre cometas faceiros, planetas sisudos e asteroides debiloides, eis que um dia uma estrela resolveu se movimentar e, entre o tamanho real a bilhões de anos-luz além e o tamanho pontual que os terrestres têm, adotou meramente uma forma bem contida, porém elegante, e, impaciente, debicou no rumo terrestre, atmosfera a dentro.
Querendo ser discreta no vórtice da descida, mas meio confusa diante das tantas formas grotescas que via, escolheu muito mal como alvo para o pouso uma linha de brilho que não sabia ser de reflexos de água.
Caiu no que diziam ser um rio domado, mas não passava de um veio de esgoto. Durou pouco seu novo posto no infinito universo, acabou a pose quando veio a chuva. Com ela, a sujeira do desinteresse humano pelo planeta e a enxurrada de lixo, e assim o desleixo levou a estrela, toda torta, para o fundo do final dos tempos.
 
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Leito do Rio (?) Icaraí (continuação do Rio Cubango), entre as ruas Mariz e Barros e 5 de Julho, Icaraí, Niterói - 20/12/2024

[71] Eu bem te via...

Bem te vi na antena - Foto Guina Araújo Ramos, Niterói, 2025

O bem-te-vi, ave!, bem que deve ter visto alguma coisa de que estaria a fim.
Ou, talvez porque nada via, tentou enganar quem dele se escondia, a bem-te-via.
Cantou seu canto sofrido por longos minutos, esticado na ponta do pára-raios.
Nada: a tempestade tomou outro rumo e a bem-te-via também.
Só sei que, de quando em vez, ele ou ela aparecem e cantam (ou tentam) mais uma vez o encontro: "bem-te-vi"!... (Ou "bem-te-via"!...)
É assim que o amor passarinha e pára, raios!
Afinal, parece que aparece: o amor nasce assim.
O amor é um canto lançado ao vazio.
Mas, que bem que vê a certeza do encontro...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

[70] Após a tempestade, a luminosidade!...

 

Após a tempestade - Foto Guina Araújo Ramos, 2024

    Vista do Rio de Janeiro (a partir de Icaraí, Niterói), foto centralizada na Praia do Flamengo, no final da tarde de uma nebulosa segunda-feira, dia 26/12/2024.
    Às 17:52h, após a passagem da tempestade, o banho de luz, que vinha das montanhas do Maciço da Tijuca para a baía da Guanabara
, se espalhava sobre a cidade.
    Ao centro, cercado de luz, o prédio da Praia do Flamengo 200.

 

Da série Luzes Legais

segunda-feira, 22 de julho de 2024

[69] Sol de gelatina

 

Sol de gelatina  - Foto: Guina Araújo Ramos - Niterói, 2024

Aqui em casa, toda tarde o sol passa pela janela da área e, muito simpático, se espalha pelo mármore pontilhado da pia da cozinha, isso todo dia, o ano todo!
Recente, a mestre cuca da casa decidiu que a sobremesa ideal passaria a ser gelatina. Tudo bem, só que ela só gosta de abacaxi, e eu mais de frutas vermelhas, apesar dos corantes.
"Gelatina tem muito pouca caloria, não engorda!... Produz colágeno, é bom pra pele, pras unhas, pro cabelo"...
Eu, fiel seguidor de suas novidades (e após pesquisar em causa própria), arrematei: "sim, e previne dores articulares, artrose, osteoporose!", que ando mesmo meio dolorido...
Sim, há mais de uma semana que a gelatina passou a ser a sobremesa oficial (e a gente estava mesmo exagerando nos docinhos), com apenas, às vezes, o reforço de um tasco de chocolate.
Desta vez, ela fez a gelatina depois do almoço e deixou esfriando em cima da pia. O sol apareceu, certamente se sentindo em casa, e ficou ali brilhando na gelatina um tempão. Tanto que, aparecendo na cozinha de passagem, dei o flagra!
Busquei o celular, que está aí justo para esses momentos, e tratei de guardar, quiçá para sempre, o nosso brilhante sol de gelatina.

Da série Luzes Legais